quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O MILHO

Em 1415 inicia-se a grande época dos Descobrimentos em Portugal, com a conquista de Ceuta.

Em 1498 Vasco da Gama descobre a Índia e em 1500 o Brasil é descoberto por Pedro Alvares Cabral.

É com a colonização de países do além-mar que muitos alimentos desconhecidos dos europeus são trazidos para o Velho Mundo.

Um exemplo é o milho.

O milho, alimento rico em nutrientes, quer seja consumido de forma directa ou indirecta, é uma grande fonte de energia. Ao contrário de outros cereais tem a particularidade de conservar a sua casca, rica em fibras e fundamental para a eliminação de toxinas do organismo humano. Este cereal poderá ter sido cultivado pela primeira vez há mais de 5000 anos, no litoral do México; sendo a base da alimentação de civilizações tais como os Aztecas ou Maias.

Hoje em dia o milho é cultivado e consumido em todos os continentes, vendo a sua produção ultrapassada somente pela do trigo e do arroz.

Se é verdade que o milho, cuja origem do nome significa “sustento da vida” era a alimentação base de várias antigas civilizações, ele é hoje em dia convidado de honra em grande parte dos nossos lares.

Algumas das formas mais conhecidas do milho são o milho verde enlatado muito utilizado em salada e sob a forma de cereais matinais ou de xarope de milho utilizado como adoçante.

Mas, se pensa que não consome milho porque não gosta de flocos matinais, desengane-se, pois só uma pequena percentagem da produção de milho é que se destina ao consumo humano. Na sua maioria essa produção destina-se a ração animal e ainda, em pequena percentagem, à indústria como é o caso de produção de etanol.

Olhando para a composição do milho (ver tabela de composição do milho em anexo) e ainda que se perceba que as formas mais consumidas pelo homem já perderam parte dos seus nutrientes, não nos é revelado o actual grande problema do milho: a pesquisa genética.

O milho é a espécie vegetal mais utilizada pelas pesquisas genéticas.

Em 1940, Barbara McClintock ganhou o Premio Nobel da Medicina ao descobrir os “transposons” – genes mutáveis, resistentes a diversos factores, capazes de danificar o genoma da célula hospedeira.

Ficam aqui alguns dados:

1- À variedade MON863 foi feito um estudo toxicológico pela empresa produtora (a Monsanto) com o seguinte resultado -» alterações de crescimento e grave prejuízos na função hepática e renal dos animais de laboratório que consumiram esse milho.

2- A legislação portuguesa prevê que exista uma distância de cerca de 200mts entre 1 campo de milho transgênico e outra plantação.

3- A variedade mais conhecida do milho transgênico é o RRGA21, tolerante a um herbicida.

4- Já existem relatos de plantações transgênicas que contaminaram variedades locais.

5- Lia-se num texto relativo a um ensaio sobre transgênicos “…ensaios de investigação de pequena escala … não será utilizado …para alimentação humana ou animal … não são esperados efeitos directos para a saúde humana. Para apoiar esta suposição, …”

Os efeitos nefastos destas manipulações genéticas poderão vir a ser comprovados, i.e. visíveis, somente daqui a muitos anos.

Até lá fica a seguinte pergunta: - Não irá você pensar duas vezes antes de retirar da prateleira do supermercado a bonita caixa de “Choco-Cereais? E o leite da vaca alimentada com milho transgênico? E os ovos das galinhas que comem milho transgênico? E…?”

É lamentável saber-se que um alimento tão benéfico para o homem possa estar a ser destruído nas suas mais ínfimas qualidades.

O milho continua a ser um “sustento de vida”, tal como há 5000 anos atrás. Em causa está a qualidade dessa vida.

Cabe a cada um de nós ajudar a que alguém próximo tome consciência disto para que possamos vir a consumir o milho na sua forma original tirando partido de todos os seus benefícios.

Elisabete Vasques – 1ºB Naturopatia

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