quinta-feira, 29 de maio de 2008

Análise Nutricional e Financeira do Pequeno-almoço

O pequeno-almoço é considerado por muitos especialistas como a refeição mais importante do dia. Após uma noite de sono regenerador, em que estivemos várias horas sem comer, é essencial não só despertar convenientemente, como assegurar um aporte energético para as actividades diárias. As crianças que não o tomam apresentam meno­res níveis de atenção, têm mais dificuldade em concentrar-se e podem mesmo alcançar piores resultados nos testes de avaliação.
Segundo a nutricionista Paula Veloso: “O facto de não se atribuir ao pequeno-almoço a importância que lhe é devida deve-se, talvez, ao seu próprio nome.” A falta de tempo é desfavorável à realização de um pequeno-almoço calmo e tranquilo a degustar e a apreciar os diversos sabores dos alimentos. No entanto, a falta de tempo é também utilizada como desculpa, da “preguiça matinal” que todos nós sentimos ao acordar, e que tantas vezes nos impede de realizar aquelas pequenas tarefas que levam poucos minutos como a preparação da primeira refeição do dia e que leva a que esta refeição seja feita fora de casa, ao balcão de um café.
A receita é simples: um pequeno-almoço completo compreende alimentos dos três grupos seguintes: cereais e derivados, legumes e frutos, leite e derivados.
Sempre que possível, devemos variar os alimentos!

Pequeno-almoço fora de casa

Alguns testemunhos:

“Eu comi um rissol de frango grandinho e um garoto (é uma chávena pequenina de café com leite) (…) são fresquinhos e deliciosos...a dona do café é quem os faz (…)”
“Galão directo e um croissant... “
“Neste momento estou a comer uma bola (de pão, não de Berlim... quem me dera!), com fiambre e um pacote de leite Mimosa meio-gordo. Já tinha bebido um cafe­zito anteriormente (…)”
“O meu pequeno-almoço é (quase) sempre um iogurte, assim que chego ao escritório. A meio da manhã, bebo um galão e, às vezes, como um pão com queijo ou um bolinho (se não conseguir resistir a uma coisa boa)...”
“Ora bem, o meu pequeno-almoço foi uma chávena de café com leite e um pão­zinho com manteiga. O mesmo todos os dias.”
http://foruns.pinkblue.com/yaf_postsm679992_O-que-comeram-ao-pequeno-almo231o.aspx

Estamos perante um quadro que exemplifica alguns dos pequenos-almoços tomados fora de casa. São claramente incompletos do ponto de vista nutricional, uma vez que não são compostos por alimentos dos três grupos acima mencionados.
De uma forma geral quando saímos de casa e decidimos tomar o pequeno-almoço “pelo caminho”, acabamos por não escolher convenientemente os alimentos correctos por várias razões que vão desde a fraca oferta de alimentos saudáveis ou mesmo devido à inconveniente oferta de alimentos pouco saudáveis, como por exemplo os que vamos de seguida referir.
Comecemos então por observar a seguinte lista de alimentos que podemos encontrar nos pequenos-almoços fora de casa, no café:
- Salgados;
- Panados;
- Donuts;
- Folhados;
- Pastelaria diversa;
- Pão branco com manteiga, queijo e fiambre ou misto;
- Café;
- Leite;
- Refrigerantes;
- Outras bebidas bastante açucaradas.

Quanto ao pequeno-almoço preparado e tomado em casa, pode-se optar pelos seguintes alimentos:

- Fruta;
- Leite;
- Infusões e/ou chá;
- Sumos e néctares;
- Pão de trigo, milho ou centeio;
- Tostas;
- Marmeladas;
- Doces;
- Mel;
- Cereais sem adição de açúcar;
- Iogurtes;
- Queijo fresco ou requeijão.

Em casa, pode-se fazer um pequeno-almoço mais saudável, que forne­ça mais energia para o bom funcionamento de todos os órgãos através da quantidade de nutrientes energéticos e alimentos ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais. Por outro lado, no café a refeição poderá ser ligeira, e com deficiências nutricionais especí­ficas que podem comprometer a saúde. A refeição feita no café poderá ser prejudicial devido à pouca oferta de alimentos saudáveis. Somos “obri­gados” a consumir excesso de açúcares, hidratos de carbono e gorduras saturadas. É importante referir que a esco­lha dos alimentos adequados e em proporções certas são métodos essenciais para evitar erros alimentares.
Comparando financeiramente os pequenos-almoços, tomou-se por referência uma refeição composta por um sumo néctar, uma sandes de queijo, um iogurte líquido de sabor e um café expresso feito em casa e feito no café. Importante referir que as mar­cas dos produtos são as mesmas. O pequeno-almoço no café, custou €3.70, enquanto o pequeno-almoço feito em casa custou €1.69, incluindo 10% para gastos energéticos de confecção. Fazendo as contas por 5 dias de aulas ou trabalho, teremos no primeiro caso €18.50 no café e €8.47 em casa.
Mas o preço mais alto alguma vez pago foi o estado de saúde dos que praticam os pequenos-almoços por sistema nos cafés.
Nem sempre o nosso regime alimentar está de acordo com as nossas necessida­des, visto pela manhã, o nosso organismo necessitar ingerir maior quantidade de ener­gia, para obtermos resultados positivos no funcionamento do orga­nismo e ao mesmo tempo fazemos a prevenção das doenças.
O indivíduo pode saciar-se enchendo o estômago de alimentos de fraca quali­dade ou ingerir poucos alimentos correctos, como alimentos frescos e alimentos ricos em fibras.
A hidratação é indispensável. No café, o pequeno-almoço está muitas vezes limitado a uma simples chávena de leite com café (que se revela um verdadeiro anti-nutriente) ou a um concentrado de fruta, quase sempre excessivamente açucarado. Em casa, tem-se a facilidade de ingerir fruta, leite, sumos, chá e /ou infusões. Em casa, a energia é adquirida pelos hidratos de carbono como o pão, broa, tos­tas, marmeladas, doces, mel, cereais, entre outros; no café a energia é obtida muitas vezes à custa de produtos com alto teor de gorduras saturadas e sódio como fritos e pastelaria refinada. As proteínas, no pequeno-almoço caseiro encontram-se no leite, iogurtes, queijo fresco ou requeijão. Pode ser tomado calmamente no conforto do lar. No café comete-se mais um dos grandes erros alimentares que vai sobrecarregar de maneira considerável os órgãos digestivos. Se nos alimentarmos de forma brusca e rápida, a primeira fase natural do processo de digestão é claramente retardada, pois os hidratos de carbono são empurrados para o estômago sem que antes tenham sido "atacados" pela saliva. Tal situação vai provocar uma sobrecarga das glândulas do estômago, que, desta forma, são obrigadas a um trabalho suplementar para reduzir os alimentos em finas partículas.
Outro dos aspectos importantes, é o modo como os alimentos são confecciona­dos. No café, corre-se o risco de ingerir alimentos muito processados, muito cozinha­dos, que os vão empobrecer. Cozer, fritar ou assar muito os alimentos, é tirar-lhes e destruir-lhes as vitaminas, proteínas, fermentos ou enzimas, assim como a redução dos teores de sais minerais.
Em suma, embora tenhamos mais vantagens em preparar e tomar o pequeno-almoço em casa, também o podemos fazer fora de casa, desde que consideremos as regras de uma alimentação racional e equilibrada. No entanto, devemos ter em conta que nesta segunda opção o factor financeiro terá uma agravante.


Referências bibliográficas


(Internet):
· O Portal da Educação (2008) Nutrição. URL: http://www.educare.pt/educare/Educare.aspx
· Saúde Sapo (2008) Pequeno Almoço. URL: http://saude.sapo.pt/artigos/?id=756368
· Associação Portuguesa dos Nutricionistas (2008) Importância de um pequeno almoço sau­dável. URL: http://www.apn.org.pt/apn/index.php
· http://www.vida-on.com/?p=36
· http://www.omundodacorrida.com/errosaliment.htm
· http://www.ateliernutricao.blogspot.com/
· www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx
· http://casadanutricao.blogspot.com/2008/02/hbitos-alimentares-das-crianas-pequeno.html
· http://www.saudelar.com/
· http://rolodamassa.blogspot.com/
Gonçalo Silva
Sérgio Pratas
Curso Geral de Naturopatia e Ciências Tradicionais Holísticas

segunda-feira, 31 de março de 2008

Trabalhos

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

I Encontro de Nutrição e Alimentação 2007

Resumo das Comunicações disponível!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Agricultura Biológica - Novas Perspectivas

Agricultura biológica é um sistema de produção agrícola (vegetal e animal) que procura a obtenção de alimentos de qualidade superior, recorrendo a técnicas que garantam a sua sustentabilidade, preservando o solo e o meio ambiente, evitando o recurso a produtos químicos de síntese e adubos facilmente solúveis e privilegiando a utilização dos recursos locais, para além de respeitar o bem-estar animal.
A prática da agricultura biológica (modo de produção biológico) está regulamentada, basicamente, pelo Reg.(CEE) 2092/91 do Conselho, de 24-06-91, a substituir a partir de Janeiro/2009 pelo Reg.(CE) 834/07 do Conselho, de 28-06-07. Este regulamento procura uniformizar o modo de produção biológico (MPB) na EU e constitui, desta forma, um conjunto de normas que orientam o agricultor.

Princípios fundamentais:
Este modo de produção inspirou-se em formas alternativas de agricultura, nascidas no início do século passado, donde emanam princípios fundamentais:
a) manter ou melhorar a fertilidade do solo (base da sustentabilidade); b) a base da fertilização é a matéria orgânica, preferencialmente o composto; c) aumentar ou preservar a diversidade biológica em todo o sistema; d) utilização de espécies vegetais ou animais adaptadas à região.
O solo tem um tratamento muito cuidado em agricultura biológica. É um mundo vivo que tem que ser respeitado como tal. Deve permanecer coberto, especialmente em terrenos com inclinação e no período Outono/Inverno. Evitam-se as mobilizações que provoquem reviramentos das camadas. Quando tal é necessário, como por exemplo para enterramento de massa vegetal, não se utilizam charruas que trabalhem a profundidade superior a 20 cm. Preferem-se as alfaias de dentes (subsolador, chisel, escarificador, vibrocultor) em detrimento das charruas, grades de discos e fresas.

Protecção das plantas
A protecção fitossanitária começa antes ou na instalação da cultura. Qualquer intervenção necessita de uma tomada de decisão, a qual está dependente de alguns critérios:
a) Tratar o menos possível, tolerando a presença de alguns estragos (nível de tolerância) e privilegiar as medidas preventivas (variedades resistentes, fertilização moderada, rotações, arejamento, sebes e manutenção de biodiversidade).
b) Tratamento condicionado à observação regular (estimativa do risco), ao conhecimento dos ciclos biológicos e ao seguimento dos dados meteorológicos. Podem-se utilizar apenas os produtos listados no Anexo II-B do Reg. 2092/91.
O controlo das infestantes é feito por meios mecânicos, preferindo-se os cortes das ervas em vez das mobilizações, e também por monda térmica, isto é, com passagem rápida de uma chama. Privilegiam-se os meios preventivos como as rotações de culturas, a falsa sementeira e as barreiras às re-infestações de sementes.

Produção animal
Deve ser respeitado o princípio da complementariedade entre os animais e o solo, ficando excluída a produção sem terra. Isto implica que os animais possam ter acesso ao ar livre e que a área de solo seja compatível (Anexo VIII); o encabeçamento por hectare não deve exceder o disposto no Regulamento (Anexo VII). É assim dada especial importância ao bem-estar animal e, aquando da constituição do efectivo, deve ser prestada especial atenção à escolha das raças, de modo a que estas se adaptem o melhor possível ao meio e sejam resistentes a determinadas doenças.

Rotulagem e logotipo
A rotulagem, tal como a publicidade, só pode fazer referência ao MPB se for claramente indicado que se trata de um modo de produção agrícola em conformidade com o Regulamento (CEE) nº 2092/91 e que o operador foi sujeito às medidas de controlo, devendo ser indicados o nome e/ou o número de código do organismo certificador.
O logótipo europeu não é obrigatório mas pode ser utilizado, a título voluntário, desde que os produtos satisfaçam as condições vistas atrás e que ostentem no rótulo o nome e/ou a designação da firma do produtor, preparador ou vendedor, bem como o número de código do organismo de controlo. A partir de Janeiro/2009 o logótipo será obrigatório.

Comercialização
O Operador (produtor) tem que cumprir Reg.(CEE) n.º 2092/91, notificar a sua actividade ao GPP (organismo do MADRP que tutela a AB), e contratar um OC (organismo de controlo) para submeter a sua exploração a controlo. Os produtos podem apresentar-se a granel, embora devidamente identificados, mas só no caso de venda directa ao consumidor. Caso contrário, têm de estar embalados e identificados.

Eficiência da agricultura biológica
Um ensaio durante 21 anos (Suiça) mostrou que a AB gastou menos 34-53 % de energia fóssil, menos 97 % de produtos fitossanitários, e teve 80 % das produções convencionais. A AB apresentou um rendimento superior à agricultura convencional.
Uma experiência do instituto Rodale (EUA), que durou 22 anos, concluiu que a AB tem produtividades de trigo e soja idênticas às da agricultura convencional, mas usa menos 30% de energia, menos água e nenhum pesticida de síntese.
As emissões de gases de efeito de estufa são 32% inferiores na AB em relação aos sistemas de fertilização mineral porque a AB biológica devolve 12-15% mais dióxido de carbono ao solo.

Novas perspectivas
A AB é actualmente um sector com perspectivas de grande crescimento, principalmente devido a uma procura crescente de produtos de qualidade e depois de uma série de escândalos na indústria alimentar.
Portugal tem excelentes características dadas as condições edafo-climáticas, as espécies, variedades tradicionais e raças autóctones e os sistemas de agricultura tradicional com forte potencial para fácil conversão.
A inovação e diversificação da oferta, será um passo importante para o sucesso, quer pela exploração de novas culturas (rúcula, flores comestíveis, mini-legumes, …), quer na aposta nos produtos transformados (compotas, secados, doces, conservas, …), possibilitanto mais valias sobre a produção primária e transporte mais fácil a longas distâncias.
Também os cereais /proteaginosas para rações (estrangulamento na produção de carne e leite), o azeite e o vinho como dois produtos estratégicos /exportação.
Paralelamente pode haver lugar à valorização dos recursos locais, nomeadamente através da criação de parques de compostagem de resíduos orgânicos, provenientes quer de limpeza de florestas /prevenção incêndios, quer de podas e limpezas de jardins camarários, ou de desperdícios de serrações, adegas, etc.
O crescimento da agricultura biológica pode abrir novas perspectivas de emprego ao nível da produção, transformação e serviços afins, benefícios para a economia e para a coesão social das zonas rurais.
José Ribeiro

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Toxinfecções Alimentares Colectivas

As Toxinfecções Alimentares Colectivas (TAC) são consideradas como um problema de saúde pública e a sua vigilância epidemiológica é um pilar importante de uma política integrada de Segurança Alimentar.

A nível mundial, as toxinfecções alimentares são cerca de 350 vezes mais frequentes do que os casos declarados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha os países membros a reforçar os sistemas de vigilância das Toxinfecções Alimentares Colectivas (TAC).
Considerando que esses sistemas são a base para a formulação de estratégias nacionais que contribuam para a redução dos riscos relacionados com os alimentos.

Com o objectivo de criar uma base de dados que centralizasse a informação sobre as doenças de origem alimentar, começou a ser desenvolvido, em Dezembro 2005, o projecto-piloto PROTOREG (Programa piloto de registo de toxinfecções em hospitais nacionais) > www.protoreg.org

Outra abordagem possível para a caracterização das toxinfecções alimentares, seria, em vez de utilizar os casos clínicos identificados, será a realização de estudos dos agentes causadores das possíveis toxinfecções, detectados em análises microbiológicas alimentares de rotina.

Em relação aos resultados obtidos relativos à presença de microrganismos, conclui-se que a E.coli é mais frequente na Primavera, sendo menos frequente no Inverno. Quanto à localização geográfica é mais frequente na região de Lisboa e Vale do Tejo e no sul. Em relação ao tipo de restauração foi mais elevada na produção em fábrica, sendo também mais frequente em alimentos confeccionados e na carne fresca.

No caso de Staphylococcus, a contaminação foi mais frequente no Inverno, na região de Lisboa e Vale do Tejo, em refeitórios, restaurantes e estabelecimentos de fast-food, e em alimentos confeccionados.

No caso da Salmonella verificou-se uma contagem nula, situação que nas análises do estudo da Proteste, a cantinas e alguns alimentos do circuito comercial, e também no registo da DGS, de toxinfecções alimentares nas unidades de cuidados de saúde, foi bem diferente, uma vez que nestes casos não é de esperar que se aplique sempre um sistema de auto-controlo, principalmente nas refeições domésticas. De resto são estas as principais motivadoras da ida às urgências.

Jorge Martinho

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Biorritmos e Nutrição

A nutrição humana é um assunto vasto e controverso, revestido de uma complexidade que ultrapassa qualquer debate de curta duração. Alvo de intensa investigação, palco de várias teorias que, por vezes, se chocam e se contradizem, torna-se ainda mais interessante de tratar quando lhe juntamos a componente trazida pela cronobiologia.
Longe de responder às múltiplas dúvidas que a nutrição humana continua a suscitar, a crononutrição levanta ainda outras questões, deixando-nos espaço para integrar todo o conhecimento actualmente existente sobre o assunto, à medida que vamos avançando nos nossos estudos.
Nesta apresentação, tentou-se dar uma pequena contribuição para se entender que os biorritmos são apenas mais um aspecto a ter em conta nesta fascinante disciplina multifactorial da saúde.


Ana Paula Carneiro

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Gastronomia molecular

www.jocooking.typepad.com

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Alimentação e Sistemas de Produção Intensiva

Com o crescimento demográfico a aumentar, o Homem sentiu necessidade de começar a produzir em grande escala, para satisfazer as necessidades de consumo cada vez maiores, assim passou-se de uma situação de produção integrada a sistemas de produção industrial / intensiva.
Com a produção intensiva vêm problemas não só ambientais, pois há um desrespeito complecto pelo ecossistemas envolventes e pelos ciclos da natureza, como em última análise também afectam a qualidade do alimento produzido.

A agricultura integrada aproveita os recursos naturais de forma sustentável, utiliza os ciclos naturais e mantém-se em equilibrio com o ecossistema, assim para além do cultivo da terra a produção animal estava integrada no mesmo sistema, havendo um ciclo de renovação e aproveitamento de todos os recursos, quase sem produção de resíduos.

A produção intensiva é separativa, ou seja, há por um lado o cultivo, normalmente de monocultivo, e por outro lado há a produção animal, que depende da primeira mas estão dissociadas uma da outra.

O cultivo intensivo da terra provoca um empobrecimento do solo que por sua vez vai tornar a produção que daí advém também mais pobre em nutrientes. Para compensar este empobrecimento do solo utilizam-se adubos quimicos que são de mais facil absorção que os adubos orgânicos, uma vez que estão numa forma imediatamente disponível às plantas, mas não têm capacidade de retenção de água nem de manter o equilibrio biológico necessários à produtividade.

Com este ciclo viciante a terra fica cada vez mais pobre e necessita cada vez de mais de adubos. As culturas acabam por ficar mais fragilizadas e susceptíveis a pragas que são combatidas com pesticidas e herbicidas os quais são ainda mais prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
No caso de culturas que mais tarde servem de alimento à produção animal o problema agrava-se uma vez que, num sistema de produção animal intensiva para além de cereais contaminados os animais ainda são sujeitos a tratamentos hormonais e com antibioticos.

Assim, o animal proveniente de uma produção intensiva acumula nos seus tecidos pesticidas e herbicidas utilizados nos cereais e acumula também hormonas e vestigios de antibioticos que por sua vez também ficam presentes na nossa alimentação diária.

Acumulando-se posteriormente nos nossos tecidos podendo provocar efeitos nefastos na saúde.

Resumindo:

A cultura intensiva veio por um lado trazer maiores quantidades de produtos à nossa mesa, mas a qualidade degradou-se ao longo da sua produção e quando os alimentos vão à mesa já não possuem a mesma quantidade de nutrientes que possuiam há 50 ou 60 anos atrás.

Cláudia Rosa
Turma 1C Naturopatia
07/11/2007

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Pasteurização

Este trabalho tem como objectivo abordar o grande contributo de LUÍS PASTEUR para a conservação de alguns géneros alimentícios tal e qual como hoje os conhecemos, e graças a Pasteur podemos beber leite, vinho e comer queijos sem ter medo de estarmos a ingerir microrganismos que nos poderiam causar mal.

Luís Pasteur terceiro filho de Jean-Joseph Pasteur, nasceu a 27 de Dezembro de 1822, em Dale, no Leste de França.
Na sua altura as pessoas eram ignorantes a respeito da existência de bactérias por todo o lado.

Pasteur tinha um enorme gosto e paixão pela disciplina de química, inclusive ele próprio leccionava essa mesma disciplina na faculdade de Estrasburgo.
Pasteur ficou extremamente curioso porque no ano de 1960 o vinho transportado de França para Inglaterra via naus transformavam-se em vinagre, nesta altura a França produzia 50 milhões de hectolitros de vinho por ano, maior parte desta enorme quantidade de vinho era perdida pois se tornava em vinagre, era algo catastrófico para a economia francesa.


Desta forma o imperador Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte) pediu a Pasteur que investigasse o porquê da fermentação do vinho em vinagre.

Depois de bastantes estudos o cientista descobriu que submetendo o vinho e outras bebidas ou alimentos a um aquecimento de 60º C durante alguns segundos evitava a sua deterioração, reduzindo de maneira sensível o número de microrganismos presentes nos alimentos e que os deterioravam.

Mais tarde no final do século XIX, os alemães iniciaram a aplicação deste processo descoberto por Pasteur para o leite natural, comprovando que o processo era eficaz para a destruição das bactérias existentes no mesmo.
Deram então origem não só a um importante método de conservação, como também a uma medida higiénica e fundamental para preservar a de quem consumia tais produtos “pasteurizados”(nome que surge como homenagem a Luís por ter descoberto este mesmo processo) conservando a qualidade dos mesmos.

Temos criados 3 tipos de pasteurização:

Pasteurização lenta, na qual é utilizada temperaturas menores durante mais tempo. A temperatura utilizada é de 65˚C durante trinta minutos.
Pasteurização rápida, na qual é utilizada altas temperaturas durante curtos intervalos de tempo, 75˚C durantes15 a 20 segundos, conhecida como HTST (High Temperature and Short Time).
Pasteurização muito rápida, na qual as temperaturas utilizadas vão de 130˚C a 150˚C, durante três a cinco segundos, este tipo é mais conhecido como UHT (Ultra High Temperature) ou longa vida.


Com este fantástico contributo de Luís Pasteur passamos a puder consumir alimentos com leite, queijo e vinho sem microrganismos e nesta sociedade moderna onde nos encontramos em que é necessário os alimentos serem conservados e as vezes durarem dias depois dos mesmos serem produzidos, com este método introduzido por Luís, podemos consumir estes mesmo produtos semanas depois do seu fabrico.

Samuel Magano. Naturopatia 1-A

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Históra das Conservas


Históra das Conservas
A conservação de alimentos surgiu com a civilização. Entretanto, todos os processos utilizados até o final do século 18 foram desenvolvidos de forma totalmente empírica e, normalmente, utilizando ou simulando processos existentes na natureza (secagem, defumação, congelamento). Nessa época, já se sabia que as frutas e algumas hortaliças podiam ser conservadas em açúcar e certas hortaliças toleravam o vinagre. Porém, todos esses procedimentos conservavam os alimentos por pouco tempo e com escassas garantias.

O confeiteiro francês Nicolas Appert (1749-1841), depois de 15 anos de experiências, desenvolveu um processo que não era baseado em nenhum fenómeno natural já conhecido. Não se sabe qual o conhecimento teórico que Appert tinha sobre conservação de alimentos, mas foi para resolver as questões práticas do dia-a-dia de sua confeitaria que ele teve a genial intuição de que, se colocasse os alimentos em garrafas de vidro grossas (como as usadas para o champanhe) com algum líquido, lacrando-os com rolha e cera e fervendo-os em banho-maria por um determinado período, conseguiria uma prolongação da vida destes alimentos. Supôs que, como no vinho, a exposição ao ar estragava a comida. Assim, se a comida fosse colocada num recipiente que vedasse a entrada do ar, ficaria fresca e com boa qualidade.

Amostras com comidas preservadas pelo método de Appert foram enviadas para o mar por mais de quatro meses. Carnes e vegetais estavam entre os 18 diferentes itens em recipientes de vidro; todos retiveram seu frescor e nenhuma substância passou por mudanças substanciais.

Colocando em prática suas descobertas em escala industrial, em 1802, ele instalou em Massy, Paris, a primeira fábrica de conservas do mundo, que empregava cerca de 50 funcionários. Encomendou a um vidreiro garrafas com gargalos bem mais largos que os habituais e deu início à sua produção. O seu método conseguiu crescente sucesso comercial, tendo sido utilizado por Napoleão Bonaparte no abastecimento de suas tropas, tornando-as mais autónomas, e na marinha mercante, para as longas viagens transatlânticas. Em 1810, foi publicado o livro "A Arte de Conservar Todas as Substâncias Animais e Vegetais", em que ele descrevia, em detalhes, o processo de conserva de mais de 50 alimentos, do qual se difundiu depois, a informação.

As primeiras latas de comida só chegaram às lojas em 1830. Incluíam tomates, ervilhas e sardinhas, mas suas vendas eram lentas, principalmente pelo preço ainda elevado, pela disponibilidade da comida fresca nas cidades e pela dificuldade de abertura da lata – usava-se martelo e talhadeira.

No entanto, o alto preço das latas era atribuído à baixa demanda de mercado e ao método artesanal de fabricação e envasamento. Deste modo, o aperfeiçoamento dos processos de fabricação das latas e do enlatamento começou em 1824, sofrendo diversas alterações do método de produção, até ao ano de 1935, quando aconteceu o lançamento das primeiras cervejas em lata.

As latas já têm quase 200 anos e hoje, são milhares os números de latas produzidas e consumidas por dia em todo o planeta. Devido ao seu uso prático, segurança e baixo custo, estão presentes no dia-a-dia de toda a população. A cada dia que passa, os processos de produção envolvidos nesta indústria estão sendo aprimorados.

Elisa Lázaro, nº11 Naturopatia 1º Ano Turma: B

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O MILHO

Em 1415 inicia-se a grande época dos Descobrimentos em Portugal, com a conquista de Ceuta.

Em 1498 Vasco da Gama descobre a Índia e em 1500 o Brasil é descoberto por Pedro Alvares Cabral.

É com a colonização de países do além-mar que muitos alimentos desconhecidos dos europeus são trazidos para o Velho Mundo.

Um exemplo é o milho.

O milho, alimento rico em nutrientes, quer seja consumido de forma directa ou indirecta, é uma grande fonte de energia. Ao contrário de outros cereais tem a particularidade de conservar a sua casca, rica em fibras e fundamental para a eliminação de toxinas do organismo humano. Este cereal poderá ter sido cultivado pela primeira vez há mais de 5000 anos, no litoral do México; sendo a base da alimentação de civilizações tais como os Aztecas ou Maias.

Hoje em dia o milho é cultivado e consumido em todos os continentes, vendo a sua produção ultrapassada somente pela do trigo e do arroz.

Se é verdade que o milho, cuja origem do nome significa “sustento da vida” era a alimentação base de várias antigas civilizações, ele é hoje em dia convidado de honra em grande parte dos nossos lares.

Algumas das formas mais conhecidas do milho são o milho verde enlatado muito utilizado em salada e sob a forma de cereais matinais ou de xarope de milho utilizado como adoçante.

Mas, se pensa que não consome milho porque não gosta de flocos matinais, desengane-se, pois só uma pequena percentagem da produção de milho é que se destina ao consumo humano. Na sua maioria essa produção destina-se a ração animal e ainda, em pequena percentagem, à indústria como é o caso de produção de etanol.

Olhando para a composição do milho (ver tabela de composição do milho em anexo) e ainda que se perceba que as formas mais consumidas pelo homem já perderam parte dos seus nutrientes, não nos é revelado o actual grande problema do milho: a pesquisa genética.

O milho é a espécie vegetal mais utilizada pelas pesquisas genéticas.

Em 1940, Barbara McClintock ganhou o Premio Nobel da Medicina ao descobrir os “transposons” – genes mutáveis, resistentes a diversos factores, capazes de danificar o genoma da célula hospedeira.

Ficam aqui alguns dados:

1- À variedade MON863 foi feito um estudo toxicológico pela empresa produtora (a Monsanto) com o seguinte resultado -» alterações de crescimento e grave prejuízos na função hepática e renal dos animais de laboratório que consumiram esse milho.

2- A legislação portuguesa prevê que exista uma distância de cerca de 200mts entre 1 campo de milho transgênico e outra plantação.

3- A variedade mais conhecida do milho transgênico é o RRGA21, tolerante a um herbicida.

4- Já existem relatos de plantações transgênicas que contaminaram variedades locais.

5- Lia-se num texto relativo a um ensaio sobre transgênicos “…ensaios de investigação de pequena escala … não será utilizado …para alimentação humana ou animal … não são esperados efeitos directos para a saúde humana. Para apoiar esta suposição, …”

Os efeitos nefastos destas manipulações genéticas poderão vir a ser comprovados, i.e. visíveis, somente daqui a muitos anos.

Até lá fica a seguinte pergunta: - Não irá você pensar duas vezes antes de retirar da prateleira do supermercado a bonita caixa de “Choco-Cereais? E o leite da vaca alimentada com milho transgênico? E os ovos das galinhas que comem milho transgênico? E…?”

É lamentável saber-se que um alimento tão benéfico para o homem possa estar a ser destruído nas suas mais ínfimas qualidades.

O milho continua a ser um “sustento de vida”, tal como há 5000 anos atrás. Em causa está a qualidade dessa vida.

Cabe a cada um de nós ajudar a que alguém próximo tome consciência disto para que possamos vir a consumir o milho na sua forma original tirando partido de todos os seus benefícios.

Elisabete Vasques – 1ºB Naturopatia

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Descobrimentos e Alimentação



Como seria hoje a nossa alimentação se não conhecesse-mos a abóbora, o amendoim, o ananás, a batata, o cacau, o feijão, o girassol, o milho, o pimento e o tomate?
Muito monótona, certamente. Ora, na realidade, todos estes produtos são de origem americana e eram perfeitamente desconhecidos na Europa, e no resto do mundo, antes de 1500.

A dieta medieval portuguesa era bastante limitada, constando sobretudo de pão de trigo ou centeio; de legumes variados, com predomínio para as couves, o grão e as favas; de frutas, como as castanhas, as maçãs, as uvas ou os marmelos; de vinho e de azeite; e de mel, que servia de adoçante.
Algum peixe e alguma carne completavam a mesa dos mais abastados.

Com grandes viagens de descobrimento, a partir do século XV, tudo mudou.
Nas novas terras contactadas, em África, na Ásia e na América, os navegadores portugueses depararam com novos alimentos e novos condimentos, anteriormente desconhecidos ou pouco vulgarizados. E logo se encarregaram de os divulgar e, quando possível, de os transplantar para Portugal ou para os arquipélagos da Madeira e dos Açores.

Os descobrimentos portugueses tiveram, assim, um enorme impacto nos hábitos alimentares de muitos povos. A dieta dos europeus, graças à viagem das plantas, alterou-se radicalmente, sendo enriquecida com numerosos produtos vegetais oriundos de outros continentes.

A cana-de-açúcar, originária da Ásia, passou a ser cultivada no Algarve e na Madeira, revolucionando a doçaria portuguesa. De África, os navegadores portugueses trouxeram a malagueta, o coco, a melancia, e mais tarde também o café, que diversificaram a nossa gastronomia.

Da Ásia, vieram especiarias exóticas como a pimenta, a canela, o gengibre e o cravo-da-índia, que se vulgarizaram em Portugal e, logo depois, na Europa. Vieram também frutas então quase desconhecidas entre os europeus, como a banana, a manga e a laranja doce. Da longínqua China, os portugueses trouxeram ainda o chá, que é hoje a bebida mais consumida a nível mundial.

Mas a América, contactada pela primeira vez em finais do século XV por portugueses e espanhóis, era o continente mais rico e exuberante em termos vegetais. De lá trouxeram os navegadores ibéricos numerosos produtos que hoje fazem parte integrante da gastronomia europeia, como a abóbora, o amendoim, o ananás, a batata, a batata-doce, a baunilha, o cacau (e o chocolate), o caju, o feijão, o girassol, o maracujá, o milho, a papaia, o pimento e o tomate.


Sofia Luís nº22
Naturopatia 1ºano A

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Os frutos secos na história da alimentação

Os frutos secos têm uma presença tão antiga na história da humanidade que determinar a sua origem exacta é muito difícil.
Sabe-se que na Idade do Bronze as amêndoas já eram conhecidas e que tinham origem no Oeste da Ásia.
Na Era Mesolítica já se encontraram vestígios do consumo de frutos secos que vieram facilitar a alimentação das tribos nómadas,que consumindo este tipo de alimento encontravam as calorias necessárias para resistirem às suas longas viagens, alimentos estes ricos em gorduras, antioxidantes(vitamina E e selénio)minerais e fibras.
Foram encontradas cascas de nozes,avelãs e amêndoas nos túmulos de Cartago e de Marsala(Sicília).
No Egipto foram feitas escavações em aldeias onde se revelaram restos de alimentos como nozes, avelãs, pinhões e amêndoas.
Na Bíblia a amêndoa e o pistachio são os mais citados.
Os chineses já conheciam a avelã há 5000anos, este fruto tem várias espécies que se desenvolveram nos vários continentes.
Consta que o fruto mais antigo será a noz.
Na Era Romana mais especificamente no solstício de Inverno, os frutos secos eram um presente habitual durante as celebrações natalícias, especialmente apreciados pelas crianças que os valorizavam quer como brinquedos quer como comida.
Nas camadas sociais mais altas os frutos secos tornavam-se especiais por serem cobertos de ouro, assim serviam como presentes ou adornos.
Para os romanos cada tipo de fruto seco tinha um significado especial, assim: as avelãs serviam para evitar a fome, as nozes eram indício de abundância e prosperidade, as amêndoas protegiam as pessoas dos efeitos da bebida.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Os Descobrimentos e o seu Impacto na nossa Alimentação actual

Na época medieval (sec. V – XV), verificava-se uma grande dualidade. A sociedade delineava-se a partir de uma pirâmide feudal e destacava-se profundamente a dualidade entre o homem rico, poderoso e privilegiado e o seu poder sobre o homem pobre, fraco e submisso. Entretanto verificavam-se outros conflitos que caracterizavam a época, como podemos verificar nos enumero relatos históricos e obras de historiadores que dispomos.
Noventa por cento da população portuguesa era constituída pelo povo, especialmente camponeses, que não eram proprietários das terras que cultivavam e dependiam inteiramente do seu Senhor. Cultivavam cereais, matéria-prima para o fabrico do pão (base da dieta alimentar da sociedade medieval). Como as técnicas agrícolas estavam pouco desenvolvidas, a produção era ineficaz. Para além disso, existia uma enorme carga fiscal imposta pelo Senhorio. Este quadro reflectia-se como era óbvio no tipo de alimentação do povo. O Senhorio medieval era também caracterizado por profundos contrastes no que diz respeito à vida quotidiana (tipo de habitação, vestuário, alimentação, etc.).
Pão de trigo ou centeio, legumes, vinho, azeite, mel (que servia de adoçante) eram produtos característicos da base alimentar da época medieval. Algum peixe e alguma carne estavam destinados à mesa das famílias mais abastadas.
Em 1415, iniciaram-se os Descobrimentos portugueses. A partir desta data, iniciara-se uma longa lista de acontecimentos históricos, promovidos por individualidades como D. João I em 1415; Infante D. Henrique 1424; Gil Eanes dobra o Cabo Bojador em 1434; já na regência de D. Afonso V, em 1441 Nuno Tristão chega ao Cabo Branco, em 1443 a Arguim e em 1444 à Terra dos Negros. Muito mais à frente, saltando muitos dos factos históricos que caracterizavam a fase dos Descobrimentos, é de salientar a chegada de Vasco da Gama em 1498 a Calecut (Índia); Pedro Álvares Cabral em 1500 ao Brasil.
Segue-se então uma exploração económica com principal incidência na Rota do Cabo, que ligava Portugal à Índia e a exploração do pau-brasil, açúcar, ouro, metais preciosos, tabaco, cacau e café no Brasil.
Os descobrimentos portugueses tiveram, assim, um enorme impacto nos hábitos alimentares de muitos povos. A dieta dos europeus, graças à viagem das plantas, alterou-se radicalmente, sendo enriquecida com numerosos produtos vegetais oriundos de outros continentes.
Especiarias exóticas como a pimenta, a canela, o gengibre e o cravo-da-índia vieram da Ásia. Vieram também a banana, a manga e a laranja doce. Da China, os portugueses trouxeram ainda o chá, que é hoje a bebida mais consumida a nível mundial. Importa também salientar a cana-de-açúcar, da Ásia, que passou a ser cultivada no Algarve e na Madeira. Da América, trouxeram numerosos produtos que hoje fazem parte integrante da gastronomia europeia, como a abóbora, o amendoim, o ananás, a batata, a batata-doce, a baunilha, o cacau (o chocolate), o caju, o feijão, o girassol, o maracujá, o milho, a papaia, o pimento e o tomate. Malagueta, coco, melancia e mais tarde o café, vieram de África.
A troca de plantas e alimentos no período dos Descobrimentos, constituiu um dos elementos mais marcantes na nossa gastronomia. Os portugueses chegaram às terras desconhecidas, mostraram grande interesse e curiosidade pelas plantas, alimentos e técnicas existentes, não apenas para se alimentarem mas também para descobrirem nelas propriedades terapêuticas. Todos estes alimentos e plantas chegaram às nossas mãos como prova da descoberta das terras, pela sua importância agrícola e económica. Quanto às plantas, adaptaram-se perfeitamente às condições meteorológicas e assumiram uma enorme importância. Modificaram profundamente a nossa agricultura, a nossa economia e principalmente o regime alimentar das populações. Dificilmente se compreenderia hoje uma grande parte da agricultura e do nosso regime alimentar sem o milho, a batata, o tomate, o feijão, o açúcar, a canela, a banana, o girassol, o amendoim, entre muitos outros.



Trabalho realizado por:
Sérgio Miguel Gaspar Pratas
Turma B, 1º ano, nº 21